Tuesday, March 21, 2006

Amor livre, liberal, conceitual ou transgressor?


Estava lendo uma matéria
sobre um casal que vive um relacionamento aberto, onde ele ou ela podem viver relações "extras" e tudo continuará bem.

Sempre me achei uma pessoa liberal, moderna e atualizada -e minhas experiências embasam esse conceito-, mas nunca me imaginei vivendo uma relação assim e não cabe em mim a idéia de poder "amar" outra pessoa que não a minha amada, paralelamente ao nosso amor (complicado, não?).

Diante da matéria me vi declinado a refletir sobre o assunto, e por mais que aprofunde não conseguirei explicar o que se passa na cabeça daquele casal (ou de outros que vivam a mesma situação) a não ser através vontade de transgredir.
Não acredito que um relacionamento aberto como o sitado na matéria sobreviva aos atropelos causados pela própria liberdade. Não acredito que as pessoas envolvidas consigam encontrar a felicidade de amar e serem amados. Não acredito que se sitam realizados como amantes. Mas acredito que se sintam bem, desde que se olhemos pela ótica do adolescente rebelde que busca na transgressão a sua razão de ser.

E se assim for posso vislumbrar um futuro não muito próspero para eles, pois não conheço nenhum homem (ou mulher) que tenha conseguido carregar ao longo da vida o ardor da rebeldia saudável sem que tenha caído na imbecilidade de se tornar um velho imaturo e irresponsável.

Como disse, me acho um cara moderno; para mim cabe uma terceira pessoa no relacionamento, cabe a realização de nossas (veja bem, NOSSAS) fantasias ao lado de outra pessoa, mas não cabe me entregar a outra pessoa se não áquela que escolhi para ser minha e eu dela.

Já tive experiências de relacionamentos a três onde todos sabíamos exatamente o que estávamos propondo uns aos outros, dessas relações surgiram boas amizades que nos propiciaram momentos intensos de alegria, descontração, tesão e prazer, mas nunca a possibilidade de convivermos com outra pessoa intuídos pelo envolvimento emocional.


Não estou aqui para levar nenhuma bandeira, apenas para dizer que só acredito em uma forma de AMAR, aquela tradicional, embasada no carinho, afeto, cumplicidade, tesão, sexo e na emoção de sentir o coração palpitar a cada re-encontro.
Quanto ao prazer, ah! Esse sim deve ser compartilhado sempre que o desejo gritar dentro de nós, desde que respeite os limites e a integridade dos envolvidos. Pode ser a dois, a três...

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